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A ESPERA DE UM MILAGRE

Estava no meu quarto, que estava bem diferente do que é realmente. Eu fui deitando na cama, quando vi uma barata passando atrás do guarda-roupa. Eu levantei rapidamente e disse que não dormiria com uma barata no meu quarto. Eu a vi passando por entre vários mosquitos pretos que estavam pousados na parede. Só que esta barata era bem pequena, pouco maior que um mosquito comum. Eu então fui matá-la com o dedo. Mas quando meu dedo chegava perto dela, ele desviava sozinho e não acertava a tal barata. Eu fiz isto três vezes e não consegui matar o tal bicho. Ate que na quarta vez, eu exprimi ela na parede. Depois fui subindo umas escadas e cheguei num cômodo onde tinha uma mesa bem grande, com alguns pratos espalhados. Alguns com restos de comida, pois várias pessoas tinham acabado de comer carne com mandioca. Eu olhei o prato da pontinha da mesa, era o prato do meu pai. Ele tinha deixado alguns pedaços de mandioca, e o caldo já tinha engrossado. Eu então pensei que não ia aproveitar prato de ninguém, que iria pegar um prato limpo. Havia vários outros pratos com pedaços de mandioca, nenhum com carne. Eu fui onde tinham vários pratos limpos, mas não achava um prato fundo. Procurei até que encontrei um. Quando fui abrir a panela, olhei para a janela e vi vários barcos num ancoradouro. Eu via só as velas. Ouvia também vozes de mulheres cantando: “abençoa, abençoa, abençoa, abençoa” “Senhor, Senhor, Senhor”, “amém, amém, amém”. Quando elas cantavam muito rapidamente, o mar agitava muito, e quando cantava calmamente, o mar ficava calmo. A voz principal me lembrava à voz da atriz da Rede Globo, que fez a mãe do Ferraço, na novela “duas Caras”, quando ela atuou na novela “A padroeira”. Eu sabia que elas estavam esperando um milagre de Nossa Senhora, que iria acontecer a qualquer momento.

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