domingo, 21 de dezembro de 2014

O PÉ DE LARANJAS DA MINHA CASA







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Em nossa casa tinha um pé de laranjas que ficava na lateral da casa. Ele ficava muito florido na primavera e no verão já estava carregado de frutas. Por ser uma laranjeira não enxertada, continha muitas sementes nas laranjas. Geralmente a gente começava a apanhar e chupar as laranjas, quando estavam grandes, mas ainda verdes. Claro que meu pai não gostava nem um pouco que gente fizesse isto. Ele sempre queria ver a laranjeira repleta de frutos maduros. Mas isto acontecia, porque eram muitas laranjas e mesmo a gente chupando as laranjas tidas como "de vez", elas amadureciam praticamente todas juntas.
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Meu pai costumava impor regras para chupar as laranjas. Geralmente permita que todos apanhassem num final de semana por exemplo. Quando ele dizia para não apanhar laranjas enquanto ele estivesse trabalhando, era melhor obedecer, porque ele era bastante severo com quem o desrespeitava. 
Ao dizer que ninguém deveria apanhar laranjas, olhava para mim e dizia que "principalmente eu". Mas a gente apanhava uma ou outra, mesmo contra a vontade dele, e claro, sem deixar minha mãe ver, porque ela acabava contando a ele quando via um de nós chupando laranjas sem ordem.
Certo dia, enquanto meu pai trabalhava, eu coloquei a escada debaixo do pé e fui apanhar algumas laranjas para chupar escondido, como costumávamos fazer. Enquanto apanhava as laranjas, aproveitando que minha mãe estava ocupada dentro de casa, meu pai chegou mais cedo do serviço e me viu apanhando as laranjas. 
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Eu estava em cima da escada, procurando por laranjas maiores e de preferência as amarelinhas. Meu pai simplesmente foi chegando e levantou o pé e bateu com toda força na escada. Ao fazer isto, a escada saiu dos meus pés e eu rodopiei no ar e cai em cima de meu braço direito que veio a quebrar. Não satisfeito com isto, meu pai começou a me chutar perguntando se eu era surdo e não tinha ouvido o que ele tinha dito. Com os chutes que dava, alguns pegaram nas minhas costas o que provocou a quebra de duas vértebras. Com meus gritos minha mãe apareceu e conseguiu evitar que ele me chutasse mais.
Não conseguia me levantar e não conseguindo respirar direito, comecei a passar mal e, segundo relatos de minha mãe, desmaiei.
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Acordena unidade de saúde com o braço engessado e uma faixa enrolada em torno do meu abdômen. Minha mãe estava comigo e quando fomos saindo para irmos pra casa, o médico chamou minha mãe e disse que já não estava tolerando mais o que meu pai fazia comigo. Disse que se eu voltasse ali machucado ou com algum osso quebrado novamente, ele iria comunicar as autoridades policiais. Disse que aquilo precisava ter um fim antes que algo pior viesse a acontecer. O médico disse que meu pai não me corrigia nem me castigava, quera um absurdo o que ele fazia comigo. Ele só não dizia nada as autoridades policiais porque causa de minha mãe mesmo. Minha mãe apenas disse que não iria acontecer novamente, porque já estava decidido que eu iria para um colégio interno no início das aulas. Minha mãe pediu a médico para não dizer nada a ninguém, porque se ele falasse com as autoridades, seria pior para todos eles.
O médico concordou dizendo que era para evitar me levar lá novamente, porque já estava cansado de mentir que eu havia caído de árvores.  A ambulância nos levou para nossa casa.



A PAIXÃO DE IR CADA VEZ MAIS LONGE

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